Nomenclatura dos alcanos
A nomenclatura dos alcanos é um conjunto de regras sistemáticas, estabelecidas pela Iupac, para nomeação universal desses compostos.
Por Stéfano Araújo Novais
A nomenclatura dos alcanos é um conjunto de regras sistemáticas para nomeação universal desses compostos. As regras são estabelecidas pelo chamado Livro Azul da Química Orgânica, o Nomenclature of Organic Chemistry, da Iupac, cuja última edição data de 2013.
A nomenclatura dos alcanos foca nas especificidades desses compostos, os quais podem ter cadeia normal ou ramificada, mas sempre saturada e aberta. Por isso, a estratégia é entender bem os padrões de prioridade na nomenclatura desse tipo de cadeia para conseguir êxito no nome oficial.
Leia também: Como é feita a nomenclatura dos ácidos?
Resumo sobre a nomenclatura dos alcanos
- A nomenclatura de alcanos é um conjunto de regras sistemáticas para nomear esses compostos.
- Os alcanos são hidrocarbonetos de cadeia saturada, aberta, podendo ser também de cadeia normal ou ramificada.
- A nomenclatura dos alcanos, como dos demais compostos orgânicos, é estabelecida pelo livro Nomenclature of Organic Chemistry, da IUPAC, cuja última edição é de 2013.
- Os alcanos, como hidrocarbonetos, apresentam sempre o sufixo -o.
Regras de nomenclatura dos alcanos
A nomenclatura dos alcanos é estabelecida pelo Livro Azul da Química Orgânica, cujo nome é Nomenclature of Organic Chemistry: IUPAC Recommendations and Preferred Names 2013. Tal edição, que data de 2013, traz as regras mais atualizadas para a nomenclatura de todos os compostos orgânicos. Segundo esta, para os alcanos, estabelecem-se as seguintes regras:
- Os alcanos, como hidrocarbonetos, apresentam o sufixo -o.
- Os alcanos, sendo cadeias saturadas, apresentam o infixo -an-.
- Alcanos de cadeia normal, portanto, são apenas a justaposição do prefixo (met-, et-, prop-, but-...) mais o infixo -an- e o sufixo -o.
- Alcanos de cadeia ramificada, entretanto, precisam de etapas adicionais para nomenclatura:
- Deve-se identificar a cadeia principal, que é a cadeia com maior número de carbonos possível, contada a partir de um carbono de extremidade.
- Os carbonos que estiverem fora da cadeia principal serão considerados como grupos substituintes (ramificações).
- Na possibilidade de mais de uma cadeia principal por conta do quantitativo de carbonos, deve-se escolher a que tiver um maior número de ramificações.
- O nome das ramificações é colocado antes do nome da cadeia principal, sendo a justaposição do prefixo (met-, et-, prop-, but-...) com o sufixo -il.
- As diferentes ramificações presentes devem ter, logo à frente de seu nome, a posição a qual estão ligadas à cadeia principal. A contagem das posições é feita pelos carbonos da cadeia principal, indo de uma extremidade à outra.
- A contagem deve ocorrer de modo que os substituintes fiquem na posição de menor número possível.
- Não há necessidade de se indicar a posição da ramificação no nome principal quando não houver ambiguidade (ou seja, outra possibilidade).
- Na hipótese de ramificações iguais, estes devem ser agrupados no nome e apresentarem um prefixo multiplicativo (di-, tri-, tetra-,...) para indicar a quantidade presente.
- Ao se colocar o nome, as ramificações diferentes devem seguir ordem alfabética, ignorando-se os prefixos multiplicativos.
- Números são separados de números por vírgula, e números são separados de letras por hífen. A colocação de hífen entre letras deverá seguir regras da língua portuguesa, como a separação de palavras que se iniciam pela letra h, como em hexano ou heptano.
- Se duas ramificações diferentes apresentarem a mesma posição equivalente, deve-se dar prioridade na numeração em termos de ordem alfabética.
Exemplos de nomenclatura dos alcanos
- Exemplo 1:
Conforme itens 1, 2 e 3 do tópico anterior, o nome da estrutura anterior é butano:
- Prefixo: but-, pois tem 4 carbonos.
- Infixo: -an-
- Sufixo: -o
Sendo assim, a justaposição fica butano.
- Exemplo 2:
De acordo com o item 4 do tópico anterior, alíneas de a até g, chegamos ao nome 2-metilpentano.
A cadeia principal (a maior possível) possui cinco átomos de carbono. A contagem é feita do carbono da extremidade à direita em direção ao carbono da extremidade à esquerda, pois, dessa forma, a ramificação (metil), posiciona-se no carbono 2. Caso a contagem fosse feita no sentido contrário, a ramificação ficaria no carbono 4, o que não é correto.
Assim:
- Ramificação: metil (substituinte de um carbono)
- Posição da ramificação: 2
- Prefixo da cadeia principal: pent-, pois tem 5 carbonos
- Infixo: -an-
- Sufixo: -o
Como resultado, com o acréscimo das alíneas já debatidas, temos 2-metilpentano
- Exemplo 3:
Dentro do item 4 do tópico anterior, nas especificidades das alíneas f , h e j, temos que o nome da estrutura é 2,3,5-trimetil-hexano.
A contagem da cadeia principal deve ser feita da direita para a esquerda. Dessa forma, as ramificações, estão nas posições 2, 3 e 5. Caso a contagem fosse feita no sentido oposto (esquerda para a direita), as ramificações ficariam nas posições 2, 4 e 5. Contudo, 2, 3 e 5 é menor que 2, 4 e 5 e, portanto, o correto é iniciar, portanto, a contagem pelo carbono mais à direita em direção ao carbono mais à esquerda.
Uma forma interessante de ver qual contagem é a correta é por meio da soma das posições possíveis:
2 + 3 + 5 = 10
2 + 4 + 5 = 11
Como 10 é menor que 11, podemos dizer que as posições corretas são 2, 3 e 5.
Assim:
- Ramificação: 3 substituintes metil
- Prefixo multiplicativo: tri-
- Posição das ramificações: 2, 3 e 5
- Prefixo da cadeia principal: hex-, pois há seis carbonos
- Infixo: -an-
- Sufixo: -o
Como resultado, a partir também das alíneas já debatidas, temos 2,3,5-trimetil-hexano.
- Exemplo 4:
De acordo com o item 4, alínea g, o nome do composto a seguir é metilpropano.
Neste caso, a ramificação sempre se aloca no carbono 2, pois não há como as ramificações estarem em carbonos de extremidade. Assim, não há outra posição possível para o metil nessa cadeia que não seja o carbono 2 e, dessa forma, a posição é omitida no nome oficial. O metil, quando ligado ao carbono 1 do propano, na verdade, origina o butano (Exemplo 1).
- Exemplo 5:
De acordo com o item 4 do tópico, alínea i, o nome do composto é 4-etil-2-metil-hexano.
A contagem deve ser realizada de modo que as ramificações fiquem com menor número possível (item 4, alínea f), contudo, o nome deve ser posto em ordem alfabética e, a ramificação com dois carbonos é etil e a letra “e” precede a letra “m” (de metil) no alfabeto.
Vale dizer que prefixos multiplicativos (di-, tri-, tetra-, ...) não contam para efeitos de ordem alfabética.
Assim:
- Ramificações: etil e metil
- Posições das ramificações: 2 (metil) e 4 (etil)
- Prefixo da cadeia principal: hex-
- Infixo: -an-
- Sufixo: -o
Como resultado, a partir das demais alíneas já debatidas, temos 4-etil-2-metil-hexano.
- Exemplo 6:
De acordo com o item 4 do tópico anterior, alínea k, o nome do composto é 3-etil-5-metil-heptano.
Neste caso, a contagem realizada da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda, coloca as ramificações nas posições 3 e 5. Contudo, a contagem correta é a que é feita da esquerda para a direita, pois a ramificação etil (que possui prioridade em termos de ordem alfabética sobre a ramificação metil), fica em uma posição menor.
Por isso, seguindo as demais alíneas já debatidas, o nome do composto é 3-etil-5-metil-heptano.
- Exemplo 7:
De acordo com o item 4, alínea c, o nome do composto é 3-etil-2-metilpentano.
No caso do composto anteriormente apresentado, havia uma outra possibilidade de contagem de cadeia principal, a qual também teria 5 carbonos, conforme imagem a seguir.
Contudo, nesse sistema de contagem, apenas uma ramificação seria identificada (a que se localiza no carbono 3). Como a prioridade é para a contagem que entregue o maior número de ramificações, deve-se escolher a outra forma, que apresenta duas ramificações (nas posições 2 e 3).
Assim, seguindo as demais alíneas, o composto é o 3-etil-2-metilpentano.
O que são alcanos?
Alcanos são hidrocarbonetos, ou seja, possuem apenas carbono e hidrogênio, de cadeia normal ou ramificada, necessariamente aberta, em que todos os carbonos presentes são saturados, ou seja, apresentam hibridização sp3 e realizam, apenas, ligações simples entre si.
Todo alcano apresenta fórmula geral CnH2n+2, o que quer dizer que, para cada átomo de carbono (n), há sempre o dobro mais duas unidades de átomos de hidrogênio (2n + 2).
Acesse também: Alcanos — mais detalhes sobre esses hidrocarbonetos
Exercícios resolvidos sobre nomenclatura dos alcanos
Questão 1
(Uece) Considerando a fórmula estrutural do composto orgânico 2,4,4-trimetil-heptano, é correto dizer que o número de átomos de carbonos secundários é
A) 5.
B) 2.
C) 4.
D) 3.
Resolução:
Alternativa D.
A estrutura do 2,4,4-trimetil-heptano é a que se segue. Carbonos secundários, que são aqueles que se ligam, simultaneamente, a outros dois átomos de carbono, estão destacados.
Questão 2
(Uepa) O hidrocarboneto de estrutura química representado abaixo é um dos componentes da gasolina:
A nomenclatura oficial (IUPAC) do hidrocarboneto é:
A) 3,4-dimetilpentano
B) 2-isobutano
C) 2,3-dimetilpentano
D) heptano
E) 2-metilisopentano
Resolução:
Alternativa C.
Percebe-se que a cadeia principal possui 5 átomos de carbono, com duas ramificações metil nos carbonos 2 e 3. Dessa forma, utiliza-se o prefixo multiplicador di- para agrupar as ramificações metil, ficando 2,3-dimetilpentano
Fontes
INTERNATIONAL UNION OF PURE AND APPLIED CHEMISTRY. Compendium of Chemical Terminology: Gold Book. [S. l.]: IUPAC, 2019. Disponível em: https://goldbook.iupac.org/.
FAVRE, Henri A.; POWELL, Warren H. (ed.). Nomenclature of Organic Chemistry: IUPAC Recommendations and Preferred Names 2013. Cambridge: Royal Society of Chemistry, 2014. (IUPAC Blue Book). DOI: 10.1039/9781849733069.